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© Tomaz Silva/Agência Brasil

Mulheres negras têm mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior que as brancas, aponta estudo

Um estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) revela que mulheres negras apresentam uma taxa de mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior do que mulheres brancas. A publicação, intitulada ‘Disparidades Raciais na Incidência do Câncer de Mama’, é o primeiro volume da série ‘Disparidades Raciais e Câncer de Mama: um Olhar para a Saúde das Mulheres Negras’.

A coordenadora da divisão de detecção precoce do Inca, Renata Maciel, destaca que, embora a incidência da doença seja maior entre mulheres brancas, a mortalidade é mais alta entre as negras. “Esse dado pode estar relacionado ao acesso ao diagnóstico precoce e às terapias de tratamento no serviço de saúde”, afirma Renata.

Ela ressalta que as mulheres negras têm maior incidência do subtipo triplo negativo, considerado mais agressivo. Além disso, a análise mostra que mulheres negras realizam menos exames de rastreamento assintomático em comparação às brancas na faixa etária de 50 a 69 anos.

Roberto Gil, diretor-geral do Inca, enfatiza que a pesquisa indica que as mulheres negras podem ter a doença de forma biologicamente mais agressiva e enfrentam menor acesso aos serviços de saúde. “O estudo mostra a necessidade de construir políticas públicas com equidade, possibilitando acesso uniforme de todas as populações aos serviços de saúde”, destaca.

Ele também observa que as mulheres negras estão consumindo mais bebidas alcoólicas em comparação a outras etnias, e menciona que o consumo de álcool está relacionado ao câncer de mama.

Fatores que contribuem para desigualdades

Desigualdades socioeconômicas, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e estresse relacionado às condições de vida são fatores que contribuem para as disparidades raciais na incidência do câncer de mama. O documento sugere que fatores de ancestralidade e genética também devem ser considerados para entender melhor essas diferenças.

A publicação recomenda fortalecer políticas de prevenção e promoção da saúde para reduzir fatores de risco modificáveis, como obesidade e consumo de bebidas alcoólicas, além de incentivar práticas protetoras, como uma alimentação saudável, atividade física e aleitamento materno.

Experiência de uma paciente

Durante o lançamento da publicação, a artesã Solange Barbosa de Freitas, de 57 anos, relatou sua experiência com a doença. Ela descobriu o câncer de mama em uma campanha de exame de rotina durante o Outubro Rosa de 2019, mesmo sendo assintomática. ‘A doença foi considerada delicada. Fiz três cirurgias, tirei uma das mamas e fiz a reconstrução’, contou.

Solange mencionou que, por parte de mãe, foi a primeira da família a ter câncer de mama.

Dados sobre o câncer de mama

O câncer de mama é o tipo mais incidente entre mulheres no Brasil, com cerca de quatro em cada cinco diagnósticos ocorrendo a partir dos 50 anos. Estima-se que aproximadamente 17% dos casos possam ser prevenidos por meio de hábitos saudáveis, como atividade física, manutenção do peso adequado, evitação de bebidas alcoólicas e amamentação.

O lançamento da publicação ocorreu no evento Outubro Rosa, no Inca da Praça Cruz Vermelha, no centro do Rio de Janeiro, e também marcou o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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