Um estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) revelou que mais de 70% dos subsídios federais ao setor de energia no Brasil, em 2025, foram direcionados a combustíveis fósseis. Essa dependência é preocupante, já que o uso desses combustíveis é o principal responsável pelo aquecimento global e por eventos climáticos extremos.
O estudo, parte da 9ª edição do Monitoramento dos Subsídios Federais às Fontes de Energia no Brasil, aponta que o país gastou R$ 77,16 bilhões em subsídios ao setor energético no ano passado. Desse total, R$ 54,12 bilhões, ou 70,14%, foram alocados para setores como petróleo, gás natural e carvão vegetal.
Crescimento das energias renováveis
Embora os subsídios às energias renováveis ainda sejam menores, houve um aumento de 20,89% em 2025 em comparação ao ano anterior, totalizando R$ 23,04 bilhões. Para cada R$ 1 destinado a fontes renováveis, R$ 2,35 foram investidos em combustíveis fósseis.
Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc e coautora do estudo, destaca que os números evidenciam a forte dependência do Brasil em relação aos combustíveis fósseis, em um momento em que a urgência climática demanda uma redução nas emissões de gases do efeito estufa.
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Transição energética e desigualdades
Em 2025, os subsídios ao setor de energia cresceram 4,44% em relação a 2024. Porém, a fatia destinada aos combustíveis fósseis caiu 1,27%, enquanto a produção e consumo de energia renovável receberam um aumento significativo. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelos incentivos à geração distribuída, que totalizaram R$ 14,71 bilhões.
Cássio Cardoso Carvalho, assessor político do Inesc, alerta que os mecanismos de financiamento à geração distribuída podem aprofundar desigualdades, já que os custos são transferidos para consumidores que não têm acesso a essas tecnologias.
Necessidade de reforma nos subsídios
Embora os subsídios aos combustíveis fósseis estejam diminuindo, o estudo aponta que a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) arrecadou R$ 14,11 bilhões, um aumento de 26,62% em relação a 2024. Essa conta é utilizada para financiar a geração de eletricidade em sistemas isolados que dependem de combustíveis fósseis.
Cássio Carvalho defende uma reforma ordenada dos subsídios, que reoriente os recursos públicos e promova uma transição energética mais justa e eficiente no Brasil. Segundo ele, setores que não necessitam mais de incentivos devem ter seus recursos redirecionados para áreas que enfrentam maiores desafios.
O Ministério da Fazenda informou que o estudo do Inesc já reflete uma tendência de redução dos subsídios aos combustíveis fósseis e um aumento nos recursos para as fontes renováveis, embora os dados sejam referentes ao período anterior a medidas excepcionais adotadas em 2026.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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