O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment contra ele. A decisão ocorre em meio a uma crise financeira gerada pela intervenção do Banco Central Paraguaio no banco digital Ueno Bank.
Peña, que foi abandonado até mesmo por seu partido, o Partido Colorado, justificou a renúncia em nome da estabilidade do país e da necessidade de “preservar nossas instituições”. O vice-presidente Pedro Allana assumirá o cargo.
Desdobramentos da crise
A crise financeira que atingiu o Paraguai começou na terça-feira (3) e rapidamente se transformou em uma crise política. A Câmara dos Deputados iniciou os debates para o impeachment de Peña, com apoio até mesmo de sua própria legenda.
Esse turbilhão político é consequência da liquidação do Ueno Bank, que tinha 2,9 milhões de clientes, representando cerca de 60% da população adulta do país. Os depósitos dos correntistas foram congelados, gerando descontentamento entre a população.
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Após a liquidação do banco, Carlos Carvallo, presidente do Banco Central do Paraguai, também renunciou ao cargo. Protestos nas ruas exigem punições para os responsáveis pela crise, e o Ministério Público do Paraguai solicitou a prisão de oito pessoas, incluindo o presidente do Ueno, Juan Manuel Gustale.
Responsabilidades e repercussões
A crise afetou Santiago Peña, que foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. Em seu pronunciamento, o presidente expressou seu pesar e pediu desculpas ao povo paraguaio, enfatizando que nunca teve a intenção de trair a confiança depositada nele.
O ex-presidente e atual presidente do Partido Colorado, Horácio Cartes, declarou que a legenda não apoiará “o latrocínio de fundos públicos, privados e dos aposentados”. A oposição, por sua vez, critica o governo por investimentos do Instituto de Seguridade Social no Ueno Bank e destaca conflitos de interesse.
Impacto econômico
A crise financeira e política prejudica a reputação do Paraguai como um destino emergente na América do Sul para investimentos. A Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai (Asimcopar) informou que duas em cada três transações das grandes redes varejistas são realizadas por contas do Ueno Bank.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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