A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) acionou a Polícia Federal (PF) e pediu apuração de casos de violência e ameaças contra comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul, após denúncias de ataques que se intensificaram após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no dia 25 de outubro.
Um dos incidentes registrados foi o incêndio da casa da rezadeira de 90 anos, Ñandesy Roberta, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande. O fogo destruiu não apenas a residência, mas também instrumentos sagrados utilizados em rituais do povo Kaiowá e Guarani, o que foi classificado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) como uma grave violação dos direitos indígenas e da liberdade religiosa.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Voninho Guarani Kaiowá, um dos coordenadores da Apib, expressou preocupação com o aumento dos ataques. Ele pediu às autoridades competentes que investiguem os responsáveis e garantam a punição na forma da lei.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial para lidar com as denúncias de violência. Ele também afirmou que o Ministério da Justiça requisitou informações sobre as denúncias recebidas pelas corregedorias estaduais e do Distrito Federal, visando centralizar os dados no âmbito federal.
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Casos de violência relacionados ao processo eleitoral
A Apib já contabilizou mais de 30 casos de violência contra povos indígenas em Mato Grosso do Sul, relacionados ao recente processo eleitoral. Esses casos incluem ataques, ameaças e atropelamentos que resultaram em mortes. Um desses incidentes ocorreu em Tacuru na noite do dia 25.
Após a divulgação do resultado das eleições, circulou um áudio nas redes sociais em que um homem sugere envenenar a água que abastece uma aldeia indígena. O autor da mensagem ainda não foi identificado, mas é confirmado pelo prefeito Rogério Torquetti (PSDB) como um servidor público municipal.
O prefeito, em resposta à repercussão do áudio, disse que o autor não se referiu especificamente aos indígenas e que a prefeitura já afastou temporariamente o servidor e instaurou um processo administrativo disciplinar para investigar sua conduta.
Outro áudio de um servidor municipal contém ofensas e ameaças direcionadas a indígenas por conta de seu voto no candidato petista. O autor também não foi identificado, mas fez ameaças diretas a um suposto interlocutor.
Ministério Público Federal inicia apuração
O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) informou que, com base nas denúncias enviadas pela Apib, iniciou procedimentos para verificar a veracidade das acusações e garantir a proteção dos territórios indígenas. No entanto, o MPF-MS descartou a existência de crimes em pelo menos um dos casos já analisados, classificando denúncias de homicídios por conflitos políticos como ‘boatos’.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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