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Governabilidade de Lula exigirá negociações e alianças além da Esplanada

News in PautaPor: News in Pauta
Publicado em: 03/11/2026 às 19:34
Última atualização em: 03/11/2026 às 19:34

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito em outubro, conquistando 64 milhões de votos, o maior número absoluto da história das eleições presidenciais brasileiras. Apesar desse resultado expressivo, a governabilidade do presidente enfrentará desafios, especialmente com a oposição fortalecida no Congresso Nacional, o que exigirá negociações permanentes e a construção de alianças amplas.

Os desafios para a governabilidade foram discutidos durante o Seminário Brasil 2027 – Desafios do Novo Ciclo, realizado na semana passada pela Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

Desafios e Oposição

Um dos principais obstáculos à formação de uma maioria parlamentar é o avanço de representantes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Câmara dos Deputados e no Senado. O professor Lúcio Rennó, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), destacou que, considerando partidos como Progressistas (PP) e Republicanos, a direita terá mais da metade das cadeiras no Congresso.

Rennó comentou sobre a mudança no papel do presidente, que tradicionalmente era visto como o líder de governo, afirmando que “nos últimos 15 anos, uma série de reformas desequilibraram a balança em prol do legislativo e em detrimento do executivo”.

O cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getulio Vargas (FGV), ressaltou que o governo poderá enfrentar uma oposição disposta a obstruir sua agenda, descrevendo-a como uma “direita anti-Estado Democrático” que “não reconhece a legitimidade do adversário” e pode operar em uma lógica de sabotagem.

Papel do Centrão

Diante desse cenário, os partidos do centrão terão um papel crucial na construção de uma maioria parlamentar, especialmente na Câmara dos Deputados. Couto enfatizou que a negociação com esses grupos será fundamental para a viabilização da agenda do governo.

Um dos primeiros testes dessa articulação será a escolha das presidências da Câmara e do Senado, marcada para fevereiro, cujo resultado poderá impactar a capacidade do Executivo de avançar em suas prioridades.

Couto lembrou que “quem manda no país hoje são dois atores chave: o presidente da Câmara e o do Senado”, que definem a agenda legislativa e controlam diversas nomeações, incluindo as para o Supremo Tribunal Federal.

Estratégias do Governo

Para além da interlocução com o centrão, os especialistas apontam a necessidade de aprimorar a coordenação política dentro do próprio Executivo. Isso implica que os integrantes do governo indicados pelas bancadas dos partidos atuem em favor da agenda do governo no Congresso Nacional.

Couto também alertou que os projetos enviados pelo Executivo precisarão considerar os interesses de diferentes grupos da base aliada, exigindo negociações detalhadas sobre as propostas.

Lula tem afirmado que o cenário não é tão adverso e que busca construir pontes com o Parlamento. Especialistas ressaltam que, apesar do cenário eleitoral desfavorável, o terceiro mandato já aprovou pautas importantes.

Mobilização da Sociedade

Além das negociações no Congresso, a mobilização da sociedade será um instrumento essencial para sustentar a agenda do governo e defender pautas democráticas, de acordo com Talita Tanscheit, professora da PUC-Rio. Ela enfatizou a necessidade do Partido dos Trabalhadores (PT) em manter vínculos com a base social.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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